Para muitos cães, o fogo de artifício é um momento difícil, por isso neste artigo deixo 4 dicas simples para ajudar o seu cão durante o fogo de artifício. Pelo contrário, trata-se de um evento altamente stressante, imprevisível e emocionalmente avassalador. Sons altos, vibrações, luzes e a impossibilidade de fugir ativam diretamente o sistema de sobrevivência do cão.
Como resultado, é comum observar sinais como tremores, tentativa de fuga, vocalizações, respiração acelerada, hipersalivação ou comportamento destrutivo. No entanto, é importante reforçar que estas respostas não são exagero nem dramatização. São reações reais de medo.
Felizmente, existem estratégias simples, baseadas em ciência e comportamento, que podem ajudar o seu cão a lidar melhor com este momento. Embora nenhuma dica elimine completamente o medo, a combinação certa pode reduzir significativamente o impacto emocional.
Ao longo deste artigo, vou partilhar quatro dicas práticas e seguras, alinhadas com o Método MYPET360, para apoiar o seu cão durante o fogo de artifício.

Antes de tudo: medo de fogos não é exagero nem teimosia
Antes de avançarmos para as dicas, é essencial reforçar um ponto-chave:
medo de fogo de artifício não é drama, nem falta de treino.
Trata-se de uma resposta emocional legítima. O cérebro do cão interpreta o som como uma ameaça real, ativando o sistema de sobrevivência. Nesse estado, o cão não está a aprender, nem a escolher comportamentos. Ele está a tentar proteger-se.
Por isso, gritar, corrigir ou ignorar o medo não ajuda. Pelo contrário, pode intensificar a ansiedade.
É exatamente aqui que entram as estratégias de apoio.
1. Algodão no ouvido para abafar o som (de forma superficial e segura)
O som do fogo de artifício é um dos principais gatilhos de medo nos cães. Isso acontece porque a audição canina é muito mais sensível do que a humana, captando frequências e intensidades que nós mal percebemos.
Uma forma simples de reduzir esse impacto é colocar algodão nos ouvidos do cão, apenas de forma superficial.
É fundamental reforçar:
– O algodão deve ser colocado apenas na entrada do ouvido
– Nunca deve ser introduzido profundamente
– Deve ser feito com calma e respeitando o conforto do cão
O objetivo não é bloquear completamente o som, mas atenuar a intensidade, tornando o estímulo menos aversivo.
Além disso, esta estratégia pode ser particularmente útil em cães que já demonstram hipersensibilidade auditiva ou histórico de medo intenso a ruídos.
No entanto, é importante observar a reação do seu cão. Se o algodão gerar desconforto ou aumentar a agitação, a estratégia deve ser interrompida.
2. Trela peitoral ou peitoral ajustado para criar pressão calmante
A pressão suave e contínua no corpo pode transmitir uma sensação de segurança ao sistema nervoso do cão. Este princípio é semelhante ao das mantas de peso utilizadas em humanos para ansiedade.
Por isso, colocar uma trela peitoral ou um peitoral bem ajustado, sem apertar em excesso, pode ajudar o cão a sentir-se mais contido e seguro.
Essa leve pressão atua como um estímulo proprioceptivo, ajudando o corpo a organizar melhor a resposta ao stress. Em muitos cães, isso contribui para uma redução da inquietação e dos comportamentos de fuga.
No entanto, alguns cuidados são essenciais:
- Utilize um peitoral peitoral ou ajustável ao corpo do cão
- Certifique-se de que não aperta nem limita movimentos
- Evite colocar a trela com tensão; o peitoral deve apenas estar vestido
Esta pressão suave pode ajudar o cão a sentir-se mais seguro no próprio corpo, reduzindo a sensação de descontrolo.
No Método MYPET360, valorizamos muito este tipo de suporte físico não invasivo, pois respeita o estado emocional do animal.
3. Criar um lugar seguro: previsibilidade reduz ansiedade
Cães ansiosos beneficiam enormemente de ambientes previsíveis e controlados, especialmente durante eventos stressantes.
Por isso, criar um lugar seguro é uma das estratégias mais importantes para o fogo de artifício.
Esse espaço pode ser:
- Um canto tranquilo da sala
- Um quarto interior com menos estímulos sonoros
- Uma crate, caso o cão já esteja habituado de forma positiva
O mais importante é que seja um local:
- Silencioso
- Familiar
- Onde o cão possa escolher ficar
Além disso, pode incluir:
- A cama habitual
- Um cobertor com cheiro familiar
- Brinquedos calmantes
É essencial que este espaço não seja imposto. O cão deve ter liberdade para entrar e sair, sentindo que aquele local é um refúgio, não uma prisão.
Quanto mais previsível for o ambiente, menor será a necessidade do cão recorrer a comportamentos de sobrevivência.
4. Gastar energia antes dos fogos: corpo regulado, mente mais tranquila
Uma das estratégias mais subestimadas, mas extremamente eficaz, é gastar a energia do cão antes do início dos fogos.
Atividade física moderada e jogos mentais ajudam na libertação de dopamina, neurotransmissor associado ao bem-estar, foco e sensação de recompensa.
Quando o cão chega ao momento de stress com o corpo mais relaxado e a mente mais satisfeita, a resposta emocional tende a ser menos intensa.
- Passeios tranquilos e adequados ao perfil do cão
- Brincadeiras controladas, sem excitação excessiva
- Jogos mentais, como procura de comida ou puzzles
- Exercícios simples de foco e calma
Evite atividades que deixem o cão hiperestimulado. O objetivo é cansaço bom, não sobrecarga.
Quando o corpo está mais relaxado e o cérebro mais equilibrado, a capacidade de lidar com o stress aumenta consideravelmente.
O que não fazer durante o fogo de artifício
Tão importante quanto saber o que fazer é saber o que evitar:
- Não castigue comportamentos de medo
- Não force interação se o cão quiser afastar-se
- Não exponha o cão propositadamente ao barulho
- Não minimize o medo como “frescura”
Essas atitudes podem agravar a ansiedade e criar associações negativas ainda mais fortes.

Cada cão é único: adapte as estratégias
Nem todos os cães reagem da mesma forma ao fogo de artifício. Enquanto alguns ficam apenas mais atentos, outros entram em verdadeiro pânico.
Por isso, estas dicas devem ser adaptadas ao perfil emocional do seu cão. Em casos de medo intenso ou histórico de traumas, pode ser necessário um plano mais completo, que inclua acompanhamento comportamental e, em alguns casos, suporte veterinário.
No Método MYPET360, avaliamos sempre o cão como um todo, considerando emoção, ambiente, experiências passadas e fisiologia.
Ajudar é regular, não corrigir
O fogo de artifício é um desafio real para muitos cães. No entanto, com informação correta, empatia e preparação, é possível reduzir significativamente o sofrimento associado a estes momentos.
Lembre-se: cães medrosos não precisam de força, precisam de segurança.
Ao aplicar estas 4 dicas simples para ajudar o seu cão durante o fogo de artifício, estará a dar ao seu cão algo fundamental: apoio emocional baseado em ciência e respeito.
Quer aprender mais sobre comportamento canino?
Siga-me no instagram para mais conteúdos educativos sobre ansiedade, medo e regulação emocional em cães.
E, se conhece outros tutores que enfrentam o mesmo desafio, partilhe esta informação. Conhecimento muda vidas, humanas e caninas.


